Irmãos e amigos do blog:
Acabei de conversar por telefone, com nosso irmão de causa, o Amauri Leme de Campos, de Itapetininga, que me autorizou a contar suas histórias.
Ele tem 53 anos e também ficou na Associação Santa Terezinha com mais três irmãos: Mauro, Vilma e Irene. Tinham mais um irmão, mas este ficou aos cuidados da avó.
A mãe, Dona Judite Lázara de Campos, paciente de hanseníase, foi retirada de dentro de seu lar pela Polícia Sanitária e nunca mais retornou. O pai, sózinho, foi obrigado a entregar os filhos para o "educandário". Visitava-os sempre, lá no Departamento de Profilaxia da Lepra, mas não podia tocá-los; viam-se apenas pelo vidro.
Em 1969, foram obrigados a retornar para sua casa, mas o pai não tinha condições de recebê-los com dignidade; a casa era muito pequena e com a ajuda de uma Assistente Social, conseguiu recursos para reformar sua casa e ter os filhos de volta.
Até aí, tudo bem. Tudo bem em termos, mas as pessoas estavam, aparentemente, fazendo a sua parte.
Ocorre que um dos filhos não retornou: Irene da Arcádia de Campos, mais nova que Amauri, hoje com aproximadamente 47 anos, não foi entregue ao pai desesperado.
Então, temos aí uma busca por Irene, que pretendo, todos nos ajudem a encontrá-la.
Nas voltas que a vida foi dando a esta família, seguiam seus caminhos e visitavam sua mãe na enfermaria do Pirapitingui em Itu, nunca a abandonando.
Porém, em outubro de 1989, Dona Judite morreu.
Sabem como? Queimada! É isso mesmo! Dona Judite era medicada fortemente à noite, como a maioria dos pacientes, para não dar trabalho aos funcionários e desta forma, por conta de um cigarro aceso, a enfermaria pegou fogo e o socorro não chegou a tempo, já que os funcionários ficavam em outro local, distante dos pacientes. Como medicavam todos para que dormissem, também não havia o cuidado de vigiá-los, acolhê-los durante a madrugada. Falando a verdade: ninguém se incomodava com eles.
Dona Judite foi transferida para um hospital de queimados em Votorantim, o Hospital Santo Antonio, onde, com 75% do corpo queimado, faleceu em 18 de outubro de 1989.
Mas a família só foi comunicada do ocorrido quando lá esteve para a visita; já era tarde demais.
Nenhum pertence dela foi devolvido à família e eles levaram o corpo da mãe para ser enterrado em caixão lacrado na cidade de Angatuba.
Família desfeita pela imposição de uma lei sem medidas ou critérios; filha desaparecida e esposa morta.
Deixo aqui uma pergunta: a quem recorrer?
Como saldar esta dívida do Governo com esta família?
Nós, do MORHAN Barueri/SP e a Comissão dos Filhos Separados pelo Isolamento Compulsório iremos avaliar os dois casos, mas já estamos convidando o nosso irmão Amauri para o teste de DNA e, desta forma, tentarmos encontrar Irene. Quanto à morte de Dona Judite, a esclarecer, levaremos ao nosso jurídico.
Não há palavras para descrever esta história. As lágrimas correm pelo meu rosto e eu não vou ficar quieta, esperando alguém me dizer o que fazer. Porém, como nossa causa é abençoada por Deus, com certeza Ele me dará a sabedoria e o discernimento para estar ao lado deles e de todos voces, como já estou.
Com amor pleno
Teresa Oliveira
Estamos juntos nessa luta.
ResponderExcluirDenunciar sempre!
Abracos solidários!
Berzé