terça-feira, 2 de agosto de 2011

Bauru, dia 7 de agosto está chegando e o II Encontrão dos Filhos de SP também!

Falar é fácil....
Normalmente, minhas falas sobre os filhos é sempre carregada de muita emoção e lágrimas. E quanto mais o tempo passa, mais histórias sei e minha angústia, com certeza, aumenta. As lágrimas, idem!
Acontece que a hanseníase é pesada por si.
Ter hanseníase não é simplesmente ficar doente; é se cuidar, se proteger, se monitorar. Não é pra qualquer um. E se as políticas públicas fossem bem executadas do início do processo ao final dele, teríamos menos casos, mais curas, menos sofrimento. Mas isto AINDA não acontece.
Fazer parte de um terrível pedaço da história deste país, tendo os pais isolados à força, trancados como se não existissem, até em porões, onde o tratamento era praticamente um milagre e nascer dentro de uma colônia e simplesmente ser levada embora pra algum lugar que sua mãe biológica não podia escolher, seria suficiente pra eu chorar todos os dias, o dia inteiro, pra sempre.
Até que me comportei bem: busquei informação e encontrei o MORHAN.
Na luta silenciosa que travei durante anos, em busca de algum pedaço de minha identidade biológica, através de irmãos ou de meus próprios pais, fui me alimentando de um sentimento coletivo, de justiça e apoio para que nunca mais isto aconteça com ninguém. E veio a Comissão dos Filhos.
Cada história que recebo, cada e mail que me enviam do Brasil inteiro, vai colando os pedaços do meu coração e, com o amor que recebo de todos, ele não está mais partido. Meu coração agora é forte e sustenta a questão dos filhos até onde o impossível sempre acontece, porque pra mim, neste trabalho entre irmãos, NADA é impossível, já que sigo na fé!
Fomos a Brasília, levei o meu recado, que foi mesmo um recado de filha separada e não de coordenação de comissão, chorei, abri minha vida. Sei que toquei a alma das pessoas. Até porque, pra se conseguir esta indenização, o trabalho tem que ser de alma mesmo.
E lá vamos nós pra Bauru.
Como se fosse o primeiro, este II Encontrão precisa mostrar à sociedade o quanto estamos focados, atentos, certos e compromissados para receber do Governo Federal a reparação moral, antes da financeira, pelos danos causados a todos nós.
Sabemos que fomos ouvidos, respeitados e que o trabalho realmente está sendo feito.
Porém, não podemos esquecer de estarmos SEMPRE de mãos dadas; é, pode ser até daquele jeito que as freiras faziam voces andarem em filas, de mãozinhas dadas - pode ser deste jeito.
O que NÃO pode acontecer agora, é afrouxarmos os laços, soltarmos uns as mãos dos outros.
Até domingo, eu amo voces todos e agradeço a Deus por ter esta grande família: nós, os Filhos que foram separados pelo isolamento Compulsório.
Com amor pleno
Teresa Oliveira

Um comentário:

  1. Tereza Oliveira q lindo o que vc escreveu, minhas lagrimas cairam lentamente sobre o meu rosto.Com certeza vamos sim estar de mãos dadas passando a nossa energia mesmo distante.Apesar de todos obstáculos, nossa vida é mais bela e complexa do que todas as estrelas do céu.Ela é o maior espetáculo do mundo,a obra prima do criador.Morhan Baruerí meus parabéns pela força...Tereza Oliveira tire uma foto comigo se um dia você vier no Pará.Prometi???Um abraço de sua Irmã em Cristo.

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