Olá Teresa...é um assunto que mexe na emoção, mas precisamos mudar...
Eu nasci em Minas Gerais.
Minha mãe se casou aos 34 anos com um homem afro descendente e por esse motivo gerou grande insatisfação nos outros 4 irmaos. Como era órfã de pai e mãe, tinha tutores.
Herdou uma boa quantidade de terras e que foi tema de dissabores pra ela toda a vida, pois era obrigada a viagens longas e exaustivas a Minas pra resolver pendências financeiras e o casamento dela com o meu pai durou por volta de 10 anos, sendo eu e minha irmã, pouco mais velha do que eu, heroínas desde o nascimento, pois fomos as únicas sobreviventes das técnicas de aborto em que ela tinha que fazer com remédios preparado por ele.
Ela consegiu separar-se do meu pai quando eu tinha quatro anos de idade e inicialmente ficamos um ano em Minas, em Santa Izabel, (prevenntório); ela internada no hospital colônia e terminado esse ano viemos pra Sao Paulo, onde ficamos eu e minha irmã no preventório de Jacareí.
Lembro, quando em uma noite, ou seria manhã....com toda certeza o dia amanhecia....um homem muito educado, gentil nos levou a tomar um café com leite, esse cafe com leite tão clarinho, inesquecivel, entramos em um carro verde enorme, talvez um furgão? Não sei. Entramos nesse veiculo e eu fui levada para um lugar chamado de sítio em Jacarei, e minha irmã foi levada para o educandário.
O sitio, era pouco distante do educandário, mas nao nos víamos........dormia naqueles quartos enormes.....
Lembro do medo, pessoas estranhas e que não manisfestavam o menor carinho...cheguei com minhas roupas em um enorme saco branco, minha canequinha de tomar leite..lembro do comentário que elas fizeram sobre o meu cabelo, eu tinha 5 anos, parecia india...selvagem vamos cortar melhor esse cabelo, parece que a mãe dela pegou uma cumbuca....me falou pra eu ir tomar banho, no banheiro, ( banho de chuveiro) eu não sabia o que era isso....
Esse tempo ficou que meio apagado da minha tela mental, mas o modo como era dado o alimento e como éramos colocados na cama a noite...éramos crianças tratados como pequenos animais selvagens..
Aos seis anos de idade, minha mãe pediu ao diretor, senhor Airton que autorizasse minha ida para o educandário, onde minha irma estava. assim quando ela ia nos visitar, podia estar com as duas...
Claro, tínhamos uma rotina: de manhã éramos acordadas as 06 da manhã e em seguida iamos pra o refeitório fazer nossa primeira refeiçao, que era constituída por um pão com aquela margarina dura com gosto de ranço...um café com leite, muito escuro...em seguida precisávamos procurar os cadernos, que não ficavam conosco, e, portanto, nao fazíamos os deveres de casa, no primeiro ano eu repeti, no segundo também....
Durante o tempo em que permaneci lá no "educandário", tive várias doenças infantis...
Lembro uma vez, em que eu com aproximadamente 9 anos, estava deitada, veio uma vigilante, era como as chamávamos e ela nos informou que a máquina de lavar estava quebrada e que elas tinham que lavar a roupa na mão e que a partir daquele dia até que consertassem a máquina teriamos que tomar mais cuidado com nossas roupas trocando duas vezes por semana, se sujássemos muito iríamos apanhar. De repente, ela pegou aleatoriamente um vestido, e foi o meu....( meus vestidos todos muito lindos, pois minha mãe levava pra mim, ela costurava com retalhos) e pegou e mostrou, eu fiquei feliz pensando que estava limpinho mas não, ela disse que estava sujo e por isso eu ia apanhar e isso ia acontecer com todas e eu seria o exemplo do que iria acontecer... alguém chamou minha irmã, que tomou a cinta das mãos dela, tomando minha defesa deu umas cintadas na ( tia).
Por esse motivo, ela foi condenada a três meses de detenção no quarto azul....
Será que tem alguém que viveu em Jacareí que lembra do quarto azul????
Saí do Educandário em 1964, iria fazer 11 anos de idade...
Amigos, irmãos
Esta história representa um pedacinho de todas as atrocidades que irei publicar esta semana.
Peço ao Presidente Lula que cumpra, rápido e emergente, com a promessa que nos fez da assinatura de nossa reivindicação.
Com amor pleno.
Teresa Oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário