terça-feira, 18 de dezembro de 2012


Irmãos de Causa e Amigos do Blog:
Hoje vamos iniciar uma série de colaborações para o blog.
São profissionais da área da saúde, alguns voluntários do MORHAN, outros não, mas que tem, na hanseníase, seu trabalho mais direto.
O objetivo é informar e ir percebendo o quanto precisamos, quase que diariamente, estarmos antenados nas questões que envolvem os sintomas, o tratamento, a situação social daqueles que são atingidos pela doença e que precisam encontrar apoio, venha ele como vier: seja no Posto de Saúde onde se trata, na companhia de seus familiares e amigos, para que a discriminação diminua e todos consigam superar os momentos de dor e incerteza que uma doença nos causam.
Nós, os Filhos Separados pelo Isolamento Compulsório, não podemos esquecer que fomos arrancados dos braços de nossa família porque nossos pais estavam com hanseníase e assim sendo, estamos diretamente ligados, para sempre a tudo isso, infelizmente. Acredito que, agora, começamos a fazer a nossa parte.
Com amor pleno
Teresa Oliveira


Fabiane Borges
Enfermeira - MG
Voluntária MORHAN


Iniciando o tratamento contra hanseníase... E agora?
Bom, início é sempre início né...



Aquilo que é novidade muitas vezes nos causa estranheza e com ela vem também as dúvidas.
No tratamento da hanseníase, como qualquer outra doença, não seria diferente.
Então vamos aqui tentar conversar um pouco
A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa  e crônica, ou seja, após adquirida, pode demorar anos para se manifestar.
Ela é causada pelo Mycobacterium leprae, ou bacilo de Hansen. Pode acontecer tanto em homens quanto mulheres de qualquer idade ou nível social, apesar de fatores como condições socioeconômicas mais baixas, desnutrição e locais com muitas pessoas reunidas constantemente em ambientes fechados (como alojamentos e assentamentos) serem fatores predisponentes.
Sua transmissão acontece pelas vias aéreas superiores, que é a respiração. Mas nada de pânico! Precisa-se de um contato prolongado com a pessoa infectada que ainda não iniciou tratamento. Vale também ressaltar que nem todas as formas de hanseníase são transmissíveis e que muitas pessoas também possuem geneticamente proteção natural contra o bacilo.
A hanseníase se manifesta principalmente com sinais e sintomas chamados de dermatoneurológicos, que são lesões na pele e nervos. A pele costuma se apresentar com manchas avermelhadas, marronzadas  ou esbranquiçadas que não somem sem tratamento ( diferente por exemplo de manchas de alergias que vão e voltam ) podendo ser acompanhada ou não com áreas que ficam ressecadas com  perda de pelos e que não produzem suor. As manifestações nos nervos, podemos perceber pela falta ou diminuição de sensibilidade ao calor, dor ou ao toque além de dormências em determinadas áreas do corpo em especial braços mãos e pés. Também pode haver nódulos ou caroços dolorosos principalmente ao toque e  fraqueza nos músculos causando dificuldade na realização de algumas tarefas que exigem a força muscular.
Ela por sí só não mata, mas pode causar sérios problemas físicos se não diagnosticada e tratada no início. A hanseníase tem cura com tratamento fácil, realizado em casa através dos postos de saúde sendo totalmente gratuito pelo SUS.
Este tratamento dura em torno de seis meses a um ano dependendo do caso.
Durante o tratamento, algumas reações podem ser esperadas como urina avermelhada, ressecamento e mudança do tom de pele (onde na pele escura a cor pode se acentuar, nas de pele clara podem adquirir uma coloração avermelhada ou um tom acinzentado). Mas estes efeitos são temporários, ou seja, vão passar ao final da terapêutica.
 O tratamento medicamentoso da hanseníase é a polioquimioterapia, comumente também chamada de PQT. É muito importante cumpri-lo. Ele garante a efetividade da cura. Já na primeira dose, a pessoa passa a não mais transmitir a doença.
A PQT é composta por esquemas padrões de tratamento. Entretanto estes podem e devem ser adaptados de acordo com especificidades de cada pessoa. Portanto, se você ouvir falar em tratamento de primeira, ou segunda escolha, não se assuste. O termo segunda escolha, não significa que a medicação é inferior.  Eles possuem qualidade e estão disponíveis para contemplar uma maior variedade de opções de acordo com necessidades específicas de usuários. Por exemplo, se pessoas têm reações adversas ou efeitos colaterais graves a determinados medicamento da primeira escolha, o (a) médico (a) poderá prescrever outro esquema para assim oferecer mais conforto sem prejudicar a efetividade do tratamento. Mas cada caso é um caso...
Uma das formas em que a pessoa durante o tratamento pode colaborar, é aproveitar para se conhecer mais. Estranho? Claro que não! A observação do seu corpo, de possíveis novas manchas, dores, sangramentos, caroços ou alguma coisa que julgar estranho, devem sempre ser relatados a equipe de saúde, assim como as evoluções positivas.
Converse sempre com a equipe de saúde. Procure sempre aproveitar as oportunidades para tirar suas dúvidas assim como dar sugestões.  Muitas pessoas relatam que no momento da consulta se esquecem das dúvidas. Se isto acontecer, uma boa dica é ir anotando em um local apropriado estas dúvidas para esclarecê-las e no momento de estar com a equipe.
Os contatos próximos também devem passar por avaliação. Se durante o seu tratamento esquecerem de lhe perguntar sobre contatos próximos, puxe esta conversa. O serviço não pode perder nenhuma oportunidade de diagnóstico.
Outra forma de contribuir é levando as informações corretas, combatendo o preconceito fomentando discussões junto aos familiares, colegas, no trabalho, redes sociais, nos conselhos de saúde, direitos humanos, igrejas, escolas e diversos movimentos sociais.
Juntos vamos eliminar a hanseníase!

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