sexta-feira, 1 de junho de 2012


Irmãos e amigos do blog:
Quando decidiram, mesmo antes de nascermos, que nos separariam obrigatoriamente de nossos pais, roubaram nossas almas para sempre.
Fomos condenados a ter duas, três vidas. Mas a nossa vida de verdade, aquela que o DNA indicava ser nossa, esta nos impediram de ter.
A tal indenização que perseguimos há dois anos, estejam certos: não devolverá nossas almas, nossas essências. Tudo que foi quebrado, trincado, partido um dia por causa do isolamento compulsório de nossos pais, está irremediavelmente perdido para sempre. O dinheiro pode iludir nosso coração e discernimento sobre a verdade e até garantir certo conforto material, físico. Porém, os fantasmas vêm nos pesadelos, nos pensamentos, nas cicatrizes que ficaram.
O consolo de tudo isso, é "ainda" estarmos vivos e termos o direito à reparação material e moral, que numericamente falando, não tem preço. Mas há uma variável aceitável, suportável até e é esta variável que pedimos, se não for o suficiente, que pelo menos seja justa em algum aspecto.
Muitas vezes meus irmãos de causa esquecem que sou filha também e que a separação me colocou milhões de anos distante da minha família biológica e o percurso da aproximação é lento, pouco provável. Isso aperta meu peito, me faz sofrer hoje o que a grande maioria de vocês sofreu ontem. De certa forma, sofrendo ou não, tenham certeza de que estou nesta luta pelos filhos, por todos voces e não por mim, já que a minha vida, o Governo Federal daquela época conseguiu matar e enterrar minutos depois que nasci. Não fosse terem criado a Teresa Oliveira, jamais teriam sabido que Maura Regina existiu.
Dia 5 de junho, eu e os demais coordenadores estaduais das comissões dos filhos separados do MORHAN, estaremos com nosso Coordenador Nacional, Artur Custódio, mais uma vez em Brasília. Na audiência que teremos com a Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, oro a Deus que ela possa perceber em nossos olhares o quanto precisamos que este Grupo de Trabalho seja publicado e a angústia termine.
Mas não se esqueçam: a indenização dos filhos separados não é o final feliz da hanseníase, porque esta continua a existir, a somar pacientes e tristezas. Então, minhas lutas não cessam, aqui. Pelo contrário: começarei tudo de novo; lutarei tudo de novo porque serei sempre uma pessoa atingida pela hanseníase e focada na minha responsabilidade de estar aqui para servir.
Com amor pleno
Teresa Oliveira   

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