Irmãos e amigos do blog:
Quando decidiram, mesmo antes de nascermos, que nos separariam obrigatoriamente de nossos pais, roubaram nossas almas para sempre.
Quando decidiram, mesmo antes de nascermos, que nos separariam obrigatoriamente de nossos pais, roubaram nossas almas para sempre.
Fomos condenados a ter duas, três
vidas. Mas a nossa vida de verdade, aquela que o DNA indicava ser nossa, esta
nos impediram de ter.
A tal indenização que perseguimos
há dois anos, estejam certos: não devolverá nossas almas, nossas essências.
Tudo que foi quebrado, trincado, partido um dia por causa do isolamento
compulsório de nossos pais, está irremediavelmente perdido para sempre. O
dinheiro pode iludir nosso coração e discernimento sobre a verdade e até
garantir certo conforto material, físico. Porém, os fantasmas vêm nos pesadelos,
nos pensamentos, nas cicatrizes que ficaram.
O consolo de tudo isso, é "ainda"
estarmos vivos e termos o direito à reparação material e moral, que numericamente
falando, não tem preço. Mas há uma variável aceitável, suportável até e é esta
variável que pedimos, se não for o suficiente, que pelo menos seja justa em
algum aspecto.
Muitas vezes meus irmãos de causa
esquecem que sou filha também e que a separação me colocou milhões de anos
distante da minha família biológica e o percurso da aproximação é lento, pouco
provável. Isso aperta meu peito, me faz sofrer hoje o que a grande maioria de
vocês sofreu ontem. De certa forma, sofrendo ou não, tenham certeza de que
estou nesta luta pelos filhos, por todos voces e não por mim, já que a minha
vida, o Governo Federal daquela época conseguiu matar e enterrar minutos depois
que nasci. Não fosse terem criado a Teresa Oliveira, jamais teriam sabido que
Maura Regina existiu.
Dia 5 de junho, eu e os demais
coordenadores estaduais das comissões dos filhos separados do MORHAN, estaremos
com nosso Coordenador Nacional, Artur Custódio, mais uma vez em Brasília. Na
audiência que teremos com a Ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria
do Rosário Nunes, oro a Deus que ela possa perceber em nossos olhares o quanto
precisamos que este Grupo de Trabalho seja publicado e a angústia termine.
Mas não se esqueçam: a
indenização dos filhos separados não é o final feliz da hanseníase, porque esta
continua a existir, a somar pacientes e tristezas. Então, minhas lutas não
cessam, aqui. Pelo contrário: começarei tudo de novo; lutarei tudo de novo
porque serei sempre uma pessoa atingida pela hanseníase e focada na minha
responsabilidade de estar aqui para servir.
Com amor pleno
Teresa Oliveira

Nenhum comentário:
Postar um comentário