quinta-feira, 10 de novembro de 2011

He Yôkoso Sassakawa!

Este mes, receberemos a visita de uma pessoa muito importante para as questões da hanseníse.
Seu nome: Yohei Sassakawa.
Leiam a entrevista abaixo.
Fonte: http://www.pernambuco.com/diario/especiais/hanseniase/direito.shtml
Pernambuco.com - 10/11/2011



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Três irmãos de Paulista (PE) escondem a doença. Prima, também atingida pela hansen, chegou a ser xingada na escola

Direito de 100 milhões


ONU discute a discriminação contra os hansenianos como uma violação de direitos humanos. São vítimas de preconceito os pacientes e toda a rede familiar

Entrevista | Yohei Sasakawa

“É uma decepção o Brasil não ter alcançado a meta”

Como o Sr. sabe, o Brasil ocupa hoje a segunda posição no ranking mundial de detecção de casos novos de hanseníase. Que leitura o Sr. faz dessa constatação?A meta de eliminação da lepra da Organização Mundial de Saúde é de um paciente para cada 10 mil habitantes. Atualmente, quatro países não atingiram essa meta: Brasil, Nepal, Moçambique e Congo. A Índia tem o mais alto índice de pessoas afetadas pela lepra no mundo, contudo o país tem atingido a meta da OMS. Certamente o Brasil vai alcançar essa meta em um futuro próximo.

O Sr. acredita que o Brasil trata com descaso a eliminação de hanseníase no país?Visito o Brasil quase todos os anos e o governo brasileiro certamente está fazendo um grande esforço para eliminar a lepra. É um grande decepção que vocês ainda não tenham alcançado a meta.

Mas, na última década, por sucessivas vezes, o Brasil comprometeu-se a reduzir o número de doentes de hanseníase, definiu metas junto à Organização Mundial da Saúde e não as cumpriu. O que, na sua opinião, falta para o Brasil conseguir essas metas? Até onde sei, o presidente tem demonstrado grande interesse e profissionais da área de saúde estão se esforçando para atingir essa meta.

Enquanto embaixador das Nações Unidas para a hanseníase, qual a sua maior preocupação com relação à doença no mundo?
Desde 1990, 20 milhões de pessoas no mundo foram diagnosticadas com essa doença. Contudo, a batalha para diminuir o estigma e o preconceito que envolvem essa doença e para permitir que as pessoas infectadas possam fazer parte da sociedade ainda não está terminada. Estou agora trabalhando para que a lepra seja considerada uma questão de direitos humanos pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU. Certamente poderia contar com seu aconselhamento na minha próxima visita ao Brasil.


José Freitas / Agência Senado
A luta pelo fim da hanseníase no mundo resume a vida do japonês Yohei Sasakawa, embaixador da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a Eliminação da Hanseníase. Há 40 anos dedicado à defesa dos vitimados pela hansen, a maior empreitada de Sasakawa no momento é fazer com que a doença seja reconhecida como uma questão de direitos humanos. A Organização das Nações Unidas (ONU) discute a proposta de Sasakawa. Segundo ele, existem cerca de 20 milhões de pessoas afetadas pela doença no mundo. Somente no Brasil, nos últimos dez anos, foram cerca de 500 mil. O impacto familiar chega a 100 milhões de pessoas no planeta. A maioria enfrenta discriminação.

Yohey Sasakawa preside a Nippon Foundation, instituição sediada em Tóquio, Japão, de onde falou para o Diario. A agenda de Sasakawa inclui debates diversos no mundo - sobre o direito marítimo dos EUA e Japão ou sobre a promoção da paz. A Nippon é a maior fundação de caridade do Japão. É afiliada à Fundação Sasakawa, criada em 1947 pelo pai dele, Ryoichi Sasakawa, para eliminar a hansen. Desde 1975, integra a Federation of Anti-Leprosy Associations.

O embaixador acredita que a discriminação aos hansenianos ainda não foi reconhecida como violação de direitos humanos porque os pacientes e suas famílias mantêm-se resignados ou escondidos da sociedade. É o que acontece com a família de dona Maria, de Paulista (PE). Ela é mãe de um garoto de 9 anos e duas garotas de 15 e 12, que têm hansen e escondem o segredo. Temem passar por preconceito igual ao vivido pela prima, de 12 anos, que mudou de escola após ser alvo de xingamentos no colégio.






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