Irmãos e amigos do blog:
O mes de outubro começou com muito trabalho para nós do MORHAN. Aliás, isso não é novidade, porque no Brasil inteiro o MORHAN se articula, se movimenta diariamente, sempre na busca de nossos objetivos referente às pessoas atingidas pela hanseníase.
Desta vez, a Executiva Nacional do MORHAN, composta de companheiros que lutam há décadas na frente do movimento, dedicou-se à questão dos filhos e em audiência com o Ministro da Saúde, recebeu dele todo o apoio, pessoal e profissional, para "acelerar" a publicação no Diário Oficial da União, do Grupo de Trabalho que formatará a tão trabalhada e suada indenização dos Filhos Separados pelo Isolamento Compulsório. Em seguida, dirigiram-se à Casa Civil da Presidência da República e foram atendidos pelo Berger, integrante da equipe do Ministro da Casa Civil, Gilberto Carvalho. Ali também recebeu a seriedade e o compromisso deste Governo Federal com nossa indenização.
Vejam as fotos abaixo.
Executiva Nacional do MORHAN com Ministro da Saúde, Alexandre Padilha
Executiva Nacional do MORHAN com Berger, da Casa Civil da Presidência da República
Enquanto tudo isso acontecia, o MORHAN de São Paulo esteve na Secretaria Estadual da Saúde, como bloguei anteriormente e no Ministério Público Estadual, onde, mais uma vez, o Promotor Dr Eduardo Dias de Souza Ferreira nos deu todo apoio à questão dos filhos e ao nosso trabalho, colocando-se à nossa disposição.
É muito importante blogar para todos vocês estas ações que eu denomino de "ações de gabinete", para que toda a sociedade esteja ciente e consciente do respeito que o trabalho do MORHAN exerce em todas as escalas da administração pública. Não fosse assim, não nos receberiam. Também começamos a receber, através de um telefonema ontem, do Gabinete do Governador do Estado de São Paulo, sinais positivos para uma audiência, necessária para a questão dos filhos e das terras no Estado. Breve teremos boas notícias também.
A todos, quero deixar claro: o MORHAN, em todas as suas instâncias, está empenhadíssimo na causa dos filhos, trabalhando diariamente para que tudo seja resolvido em um curto espaço de tempo.
Portanto, agradeço aqui o empenho da Executiva Nacional, da qual me orgulho muito, nas pessoas de Artur, Cristiano, Valdenora, Sílvia, Reinaldo, Lucimar e Eni. Estes voluntários são o nosso exemplo de força e determinação para que prossigamos neste intenso e tenso trabalho de conscientização sobre a hanseníase, o preconceito e as questões indenizatórias.
Temos outras lutas por vir e não podemos ficar parados, esperando que aqueles que nunca foram atingidos pela hanseníase, "resolvam" se incomodar com nossas questões, com nossas lutas. Não fosse o MORHAN, creio que ainda estaríamos à margem de tudo isso.
Peço aos filhos que continuem se mobilizando pelos Estados do Brasil, acreditando, colocando sua força de ação através de nossas atividades, unidos e focados, indo à luta. Aos que estão sentados no sofá da sala, esperando algum dinheiro cair na sua conta bancária, peço que se levantem, busquem os voluntários do MORHAN, preencham seu formulário, enviem seus dados e dêem as mãos aos irmãos de causa que estão dando a vida por isso, que vestiram a camisa e se colocam à disposição sempre que precisamos.
Nenhuma luta é vencida no sofá da sala. Todas as lutas, as grandes lutas, foram vencidas com muito trabalho e determinação.
Falar sobre a hanseníase não é uma tarefa fácil e aceita de imediato pela sociedade. Mas como já disse várias vezes, precisamos aprender com os judeus, a respeitar nossa causa, falando sempre dela, erguendo nossas cabeças, saindo às ruas quando necessário, exigindo direitos que foram conquistados lá atrás, quando Leis absurdamente desumanas, executaram famílias inteiras, sem nenhum tiro, mas isolando-as do convívio social e quebrando os vínculos que sempre unirão pais a filhos e às famílias.
Se não for por nós, que seja, pelo menos, por aqueles que morreram dentro e fora das colônias, em um tempo que não podemos esquecer, fomos abandonados.
Se não for por nós, chamados de "com saúde", que seja pelos sequelados, traídos no passado por uma política de segregação, que os obrigou a se esconderem para não serem laçados no meio da rua e carregam até hoje as marcas do descaso social da época.
E se não for por nós ainda, que seja pelas nossas famílias, filhos, sobrinhos, netos, irmãos...Pessoas que muitas vezes, sem conhecer nossas histórias, foram marcadas pelo preconceito, que infelizmente, ainda se estende, em uma quarta geração.
Que seja por qualquer motivo que possam encontrar.
Mas seja!
Com amor pleno
Teresa Oliveira


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