
Perdoe-nos mães...
Não houve tempo de sentir o colo
De provar o leite
De saber quem éramos.
Nos arrancaram dos ventres, nos embrulharam em panos
E nos levaram embora.
Não sabemos se choramos, se sorrimos
Trocaram nossas fraldas, mastigamos chupetas...
Fomos para a infância pensando sermos orfãos
Nunca soubemos ou pudemos ser filhos.
Perdoe-nos mães...
Mas na verdade nós queríamos o colo
O leite, o abraço, o cheiro...
Não tivemos e crescemos.
Hoje adultos, neste dia tão iluminado
Buscamos um foco, um rastro de esperança
De talvez encontrá-las, quem sabe.
Mas o tempo foi infinito e cruel
E pode ter nos separado para sempre.
Porém, mesmo assim, fomos e somos filhos
Isso ninguém pode roubar
E por isso nós vamos lutar com todas as forças
Para que outras crianças não sofram
A ausência de saber ser filho
Sem mãe para conhecer.
Nós, os Filhos Separados pelo Isolamento Compulsório, desejamos a todas as mães que puderam gerar e criar seus filhos, um dia abençoado.
E que nossas mães, que não deixaram nos amamentar e criar, onde quer que estejam sintam-se em paz, porque estamos todos unidos, contando nossas histórias, para que nunca mais alguém tenha a truculência e maldade de afastar uma mãe de sua cria; um filho de sua única certeza neste mundo, que é ter vindo de alguém; alguém que é Mãe!
Com amor pleno
Teresa Oliveira, a Maura Regina que nunca conheceu sua mãe biológica porque o Isolamento Compulsório lhe roubou este direito constitucional.
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