sábado, 16 de abril de 2011

Ele me fez uma pergunta


Irmãos e amigos do blog:
Sempre falo e escrevo sobre o MORHAN e afirmo o quanto modificou a minha vida.
Não tenho mistérios e faço das minhas experiências pessoais um aprendizado diário, com o objetivo de estar melhor, porque somos seres errantes, sem perfeição - isto é uma das "impossibilidades humanas".
E hoje à tarde, lá pelas 17 horas, o meu celular tocou. Ao atender, alguém do outro lado me disse:
- Oi. Quero saber se é a pessoa que está na televisão.
Meia perdida com o questionamento, respondi com uma pergunta básica:
- Pode ser, desde que me diga qual canal está assistindo.
O mais engraçado é que eu estava ouvindo a minha voz lá na casa dele, na televisão dele. Pensei rápido e lembrei que o programa que gravamos para a TV ALESP com a Deputada Rita Passos, repete várias vezes e então ele me confirmou que era a TV ALESP e eu disse que era eu mesma e já fiquei esperando ouvir que ele era um filho que ficou em educandário... Mas não. Ele me disse:
- Me ajude: estou em depressão, não moro em São Paulo, sou aposentado mas trabalho, tenho uma linda família, esposa amiga e presente, mas estou depressivo e queria saber: o MORHAN pode me ajudar? 
Se ele estava depressivo, eu fiquei simplesmente "apavorada". Alguém me pedia ajuda e eu não podia dizer pra ele:  "o MORHAN é para os atingidos pela hanseníase e não pela depressão"... 
Mas, quem me garante que eu busquei o MORHAN pela hanseníase? Ninguém.
Quando busquei o MORHAN foi porque estava deprimida com a minha história e a possível situação difícil de minhas irmãs biológicas que eu não conhecia. A hanseníase, naquele momento, era secundária; até inexistia na minha cabeça, porque eu não entendia nada sobre o tema e claro, me negava a aceitar aquela verdade.
Fui conversando com aquele homem e, aos poucos, explicando o que era o MORHAN e que, como movimento social, era pra todos, atingidos ou não pela hanseníase.
Falei da minha história, de algumas histórias que vi e ouvi em muitos dos lugares que fiz oficinas e o homem foi mudando seu tom de voz, clareando sua fala e finalmente percebeu que podia trocar figurinhas com as pessoas; que somos todos iguais: falíveis.
No final de nossa conversa, pedi a ele que buscasse uma causa que o fizesse lutar para estar acordado quase que 24 horas por dia e se dar aos outros; que eu tinha certeza, ele tinha uma causa esperando por ele, porque de fato, temos que aceitar estar nesta vida para servir. Essa não foi uma atribuição exclusiva de Jesus; Ele nos ensinou que este era o caminho.
O homem agradeceu, me prometeu telefonar outras vezes e me disse: vou até São Paulo com minha família conhecer o MORHAN em Barueri. E, claro, disse lhe que será bem vindo!
Agora, vou perguntar a voces: será que estamos unidos, juntinhos assim, só por conta da indenização? E que tenha sido nosso primeiro objetivo, depois do Encontrão em Itu não somos os mesmos. Estamos melhores, mais compreensivos, mais falantes, mais confiantes, certos de fazer a diferença.
Nossa história de dor abriu uma ferida tão grande que, aos poucos, fomos preenchendo com um pouquinho de cada um e sinto, ela começa a fechar, a criar casquinha de machucado no joelho; arde se a gente mexe muito, mas está sarando. É só cuidar e aguardar.
E esta energia que estamos começando a buscar, está refletindo em outras pessoas, como este homem que, ao me ouvir e me ver na televisão, conseguiu buscar uma palavra e foi acolhido.
Sabe, ele buscou uma palavra, mas quero dizer a voce, senhor que estava depressivo, já o temos como nosso irmão de causa também e de fato, vamos ter pensamentos afirmativos a seu respeito, para que a depressão se distancie de sua vida.
E assim, da mesma forma que o MORHAN modificou a minha história, eu, por conta da história de todos voces, percebo que de alguma forma, chegamos e tocamos alguns corações confusos.
MORHAN. Não sei explicar o que é; mas sei o que ele fez e faz na minha existência.

Com amor pleno
Teresa Oliveira

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