Meus irmão e amigos do blog:
A história relatada abaixo é a verdade sobre nossas vidas e eu gostaria muito que a nossa Presidente Dilma, pudesse ler este depoimento.
Hoje, não sei o que podemos recuperar do que restou de todos nós.
Porém, confiem: eu NUNCA deixarei de lutar pelas justiças que devem ser feitas a todos nós, que fomos brutalmente sacrificados porque nossos pais tinham hanseníase.
Nós não éramos doentes e fomos totalmente abandonados e jogados fora, no lixo.
Que país foi este?
Mas sabemos que país é este e estamos aguardando o reconhecimento formal, através de uma assinatura, que não levará 10 segundos para estar em um pedaço de papel e finalmente nos autorizar a buscar, com a indenização, seja ela o quanto for, um pouco da nossa dignidade.
Nós somos filhos ainda, porém filhos, em sua maioria, já idosos e neste caso, nos ferem em dois aspectos: na nossa infância e na nossa velhice.
Com amor pleno
Teresa Oliveira
Eu, Sonia Maria Arantes, fui criada no Educandário Santa Terezinha, em Carapicuíba, São Paulo,no período de 1959 a mais ou menos 1976, na época das irmãs. Sou a segunda filha de 12 irmãos e meus pais ficaram na colônia desde jovens, até falecerem. Minha mãe faleceu em junho de 2010. Fui a primeira a ir para o Educandário e logo em seguida o restante dos irmãos. Mal iam nos visitar, não podiam; apenas recebiam fotos nossas, como se tudo estivesse maravilhoso. Que me lembre, puderam ir nos visitar umas duas vezes. Então, que amor ia existir? Só recebia notícia todo ano que ganhava mais um irmão. Ficava contente, mas ao mesmo tempo revoltada com os pais. Sempre ficava na expectativa de quando iam tirar nós todos do Educandário, mas esse dia nunca chegou. Embora tinham condições de criá-los, eram PROIBIDOS DE EXERCER A PATERNIDADE E A MATERNIDADE.
Nós crianças, sofremos muito, apesar da alegria normal de crianças, ingênuas, com os amigos. Lembro de muitas passagens que não foram nada boas; havia uma monitora que fazia nós meninas, deitarmos no chão de barriga para baixo e andava por cima de todas, muitas delas não aguentavam e faziam necessidades em suas próprias roupas, e por consequência disso, o castigo era maior. E a nossa dignidade, nunca foi respeitada, passávamos por constrangimentos. Finalmente, chegava a hora de tomar banho, só que éramos obrigados a nos despirmos na frente de todos, era tudo aberto, sem privacidade nenhuma, que vergonha! As irmãs não faziam nada, também participavam. São traumas e cicatrizes que nunca vão se apagar. Se fosse contar tudo mesmo, daria um livro. Quando tinha 13 anos, fui mandada para adoção. Vejam bem: eu tinha pais, irmãos e, mesmo assim, me mandaram para adoção! Isto foi crime, foi sequestro de incapaz, abuso, não tínhamos direito de escolher o que era melhor para nós. Fui para uma família e diziam que era para eu fazer companhia para a única filha que eles tinham. Mentira!!! Tinha quase certeza que eles queriam me fazer de empregada, logo minha dúvida virou certeza. Me acordavam as 5hs da manhã todos os dias, para fazer tudo em casa, e era a ultima a dormir, normalmente sempre meia noite, isso foi por 3 anos e meio. Só tinha duas mudas de roupas ,enquanto a filha deles tinha dois guarda roupas. Tinha vontade de repetir nas refeições mas não podia, porque só o olhar da mulher dizia para não pegar mais. Em quanto isso, nunca meus pais procuravam saber como estava. E se procuravam saber, mentiam para eles também. Não posso acreditar que meus pais, caso soubessem desta barbaridade, iriam permitir. O marido desta mulher chegou a apontar uma faca para mim, porque ficava com raiva ,pois eu quase não falava muito. Meus amigos e companheiros eram os cachorros, sabiam que eu amava muito, mas para minha infelicidade raiva e ódio, mandaram para a carrocinha, chorei amargamente, de soluçar, mas nada fizeram. Resolveram me mandar de volta para o Educandário, Falaram muitas mentiras, mas foi bom. Fiquei de castigo por 3 dias no quarto, só saia para ir ao banheiro. Me lembro na época das irmãs quem voltava para o Educandário, elas me deixavam de castigo pelada no quartinho no escuro. Isso era motivo de vergonha e de revolta para nós. Onde deveria existir amor entre as irmãs, não tinha, falavam que gostavam da gente da boca pra fora.
Chegou a época para eu sair do educandário, já tinha 17 anos, fui para casa de minha avó, por parte de meu pai, pessoa que eu nunca havia conhecido, é como se fossem para mim estranhos. Mas ai tive que começar tudo de novo a minha vida, que não foi nada fácil como sempre, enquanto meus pais só ficavam de boa na deles, só mamando no governo, sei que tiveram alta mas não quiseram sair do (Pira). E o restante dos meus irmãos continuaram no Educandário, sei que tinham condições de cuidarem de seus filhos,mas se acomdaram.e aos poucos foram saindo devido a idade,e iam para casa da avó. Quantas vezes ia falar com os meus pais para sair do preventório, cheguei falar com assistencia social, não teve acordo. Infelizmente quem dificultava as coisas era a minha mãe, ela virava a cara para mim, não facilitava mais nada para nós irmãos. Chegou querer mandar os meus irmãos para febem. Sempre tentava ser amiga dela, mas nunca deu espaço para a gente, sempre fazia coisas, para agradar para ganhar confiança dela, tratava os filhos com muita frieza. Quando meu pai faleceu foi mais difícil ainda, minha mãe confiou em outras pessoas para cuidar de tudo para ela, pessoas que se dizia ser melhores amigos, mas não éram, teve dois procuradores, só quando morreu que ficamos sabendo de algumas coisas, mais não de tudo. Isso tudo porque a separação dos filhos de pais vivos, que fez que se acomodassem, o governo tirou o direito deles assumirem suas responsabilidades, em vista disso, a culpa é de quem? É das autoridades da época.
A Própria colônia do (Pirapitinguí), onde todos nasceram. Nunca sequer mantinham contato com a própria familia para prestar esclarecimento de fatos dos últimos dias da vida dela.
A minha mãe chegou os últimos dias da vida dela sem estar com a família, pois não desejava nos ver, mais tenho uma séria duvida de que ela foi coagida de não querer nos ver. Só fomos ouvidos depois que ela estava morta, mais ainda não tivemos esclarecimento de ninguém ainda.
Hoje, só vivo na incerteza de que se vai ser resolvido o caso, muitas frustrações e tristeza que sei que vão aparecer, Deus nos ajude, em fazer que estes governantes reparem os erros do passado, porque para Eles é fácil em resolver aquilo que é de interesse deles, mas para a população é tudo mais dificil. Agradeço a oportunidade de me expressar com vcs, agradeço muito a vc Tereza e ao MORHAN, pelo o que estão fazendo por nós.
tem muitas coisas para serem discutidas sobre isso.
ResponderExcluirTem um texto do Wagner Nogueira que retrata que no Pirapituingui, ainda em 1989, a direcão não autorizava a entrada dos filhos para morarem com os pais.
Precisamos resgatar este texto...
pedir a Érica para copiar e te enviar para enviar para Sonia e postar no Blog.
beijos
Artur
Sou neta de ex-hanseniana e filha de minha mãe q tbm sofreu muito e até hoje sofre por todo esse problema que antigamente teve... Acho muito triste o que se passou por tantos e tantos brasileiros... Se vivemos realmente uma democracia, pq q naquele tempo foi assim? Devido a todos esses problemas que se passaram no passado hoje tbm sofremos pelas feridas deixadas por meus avós terem adoecido e assim separar as minhas tias e a minha mãe dos meus avós... Sei que sofreram muito... Tanto que até hoje sofrem... Isso me deixa triste pq sei q não foi somente a minha família que passou por esse problema e sim milhões de brasileiros. Sou neta e tbm sofro! Pq ver o q se passou na minha família isso é de uma forma de me deixar revoltada com o meu próprio país... Sei que agora, graças a Deus vão poder dar um pouco mais de consolo pelo que tantos meus avós, minhas tias e a minha mãe sofreram...
ResponderExcluirE isso é de alguma forma uma maneira de tentar apagar um pouco desse passado... Mas na verdade temos muitas marcas de sofrimento que nunca seram apagadas das nossas vidas...
Agradeço por poder falar um pouco... + tenho muita coisa ainda pra falar é muita revolta! Se eu que sou apenas neta e que cresci vendo o sofrimento que minha mãe e minhas tias viveram e fico muito triste com esse absurdo imagine o que meus avós passaram naquele tempo sem poder nem ter o direito de poder falar o que se passava naqueles tempos e hoje eu tendo oportunidade de me expressar e poder falar eu -FALO MESMO!
Enfim... Somos todos sofredores...
E pesso que olhem para nós e nos ajudem a tentar esquecer um pouco desse sofrimento.
Que nossa nova presidenta, veja com o seu coração, pq ela tbm é mulher e vai ver o tanto de sofrimento que passou a minha família e tbm a de milhões de brasileiros...
Dilma assina!!!
Sobre o depoimento da Sonia Maria Arantes e veridica, eu morei com ela muito anos.
ResponderExcluirSofremos muito.
Fatima
email fatima@renotran.com.br