quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Amigo é pra se guardar

Amigos e irmãos do blog
Nesta tarde que não estava muito agradável para mim, afinal, caminho sempre em busca de resultados, recebi o e mail de uma grande amiga, Fátima Franco. Ela é psicóloga e trabalhamos juntas há muitos anos atrás, no Sistema Penitenciário.
Pois bem: Fátima tem uma coluna em um importante jornal de Campinas/SP e nos presenteou com um artigo.
Obrigada amiga. Isto reforça que minhas pegadas pela vida sempre fizeram o possível para preservar grandes pessoas como voce.
Com amor pleno
Teresa Oliveira


Página A14 do  CORREIO POPULAR CIDADES
Campinas, quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Maria de Fátima Franco dos Santos 



MORHAN

MORHAN é a sigla para o Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase. Fundado em 1981, é uma organização não governamental (ONG) voltada para pessoas que contraíram a hanseníase e seus familiares, bem como para as pessoas interessadas no combate ao preconceito relacionado a essa doença. Existem dezenas de núcleos em todo o País.
Um dos trabalhos desenvolvidos por essa entidade é relativo à busca de familiares dos filhos que foram separados pelo “isolamento compulsório”. Acredito que poucos sabem que no Brasil, entre as décadas de 30 e 70, milhares de crianças foram subtraídas de seus pais que eram portadores de hanseníase.
Uma lei datada de 1949, inclusive, autorizava o Estado a retirar essas crianças assim que nasciam e levá-las aos orfanatos. As mães, desse modo, eram impedidas de ter qualquer contato com os filhos  recém-nascidos. Imagine-se o desespero e sofrimento dessas mulheres por saberem que nunca mais poderiam vê-los. Essa separação foi denominada de “isolamento compulsório”.
As crianças eram levadas a diferentes orfanatos, chegavam em cestos e eram denominadas de “ninhadas de leprosos”. Os irmãos, caso vivessem juntos, eram separados no momento da adoção e a grande maioria jamais conseguiu reencontrar-se.
O preconceito e ignorância foram responsáveis pelo abandono, miséria e sofrimento dessas famílias.
Assim como qualquer criança órfã ou abandonada, muitas foram adotadas e, certamente, amadas.
Mas nem sequer imaginavam que não haviam sido abandonadas por seus pais, mas sim, arrancadas de seus braços.
Muitas mães portadoras da doença, que conseguiram sair dos locais em que eram obrigadas a viver, foram, em vão, em busca de seus filhos. A esperança do reencontro, para tantas, foi o maior sentimento que as acompanhou na solidão do caminhar sem rumo certo. Muitos desses irmãos que foram separados há décadas, nem sequer imaginam que existe essa entidade, a lhes oferecer apoio e instrumentos para, quem sabe, conhecerem suas origens.
Acredito que podemos ajudá-los, ao divulgar esse período desumano de nossa história.

Maria de Fátima Franco dos Santos é
professora de psicologia forense da
PUC-Campinas
E-mail: mariadefatima@puc-campinas.edu.br

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