sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Somos uma equipe e me orgulho disso! Obrigada Dr. Alcides

COLOCANDO UM SORRISO NO ROSTO. VOCÊ É ESPECIAL !!!

Escrevi em outra oportunidade sobre a questão da indenização, então há sempre a possibilidade de alguns expressarem-se negativamente ao que escrevo, porém compreendo que alguns podem não gostar do que escrevo, mas vou além no tema, pois acho que a indenização já devia ter ocorrido.

O MORHAN é um movimento sem igual, fruto de um erro do passado e que, salvo melhor juízo, vem sendo ludibriado pelos Governos, que utilizando de artifícios políticos e jurídicos acabaram minimizando o problema e ganhando louros da vitória, enquanto o problema não é combatido de frente.

Sou pai, e tenho lá meus atritos com minha sábia filha, mas toda vez que sinto que a mesma necessita de auxílio, de alguma forma tomo ações para que logre ir mais adiante, quase todas as vezes, sem que esta ou ninguém perceba, afinal eu quero atingir o objetivo de ajudá-la e não aparecer com isso. O que se dá com a mão direita, a mão esquerda não precisa saber.

Fazer o certo é obrigação de todos nós, mas fazer Justiça é papel do Estado e dos governantes que foram eleitos para governar, ou seja, cada dia de espera é um erro governamental, e quando o erro é sanado se trata, apenas e tão somente, de cumprimento do dever legal. Fazer o certo é obrigação de todos, e no caso dos Governantes é dever legal.

Certa vez, eu falei que o MORHAN tinha uma causa pequena, ou seja, a finalidade do Movimento era muito pequena. Creio que os que ouviram minha manifestação ficaram chocados, mas o depoimento do doente, que estava enfermo pela necessidade de uso de drogas, talvez tenha chamado a atenção de quanto podemos usar o MORHAN para criar um mundo melhor.

Por questão de semântica, no depoimento do mesmo, ficou claro que a expressão “dependente químico” desperta no mesmo um sentimento de preconceito, e me vem a expressão Déja Vú, que significa que já vimos isto ocorrer no passado.

Começo aqui fazendo uma pergunta, doença não é tudo igual, ou seja um mal que atinge a matéria em função de alteração biológica do estado de saúde e que se manifesta por um conjunto de sintomas?

Se doente é doente, e, cá entre nós todos sempre temos alguma doença, concluímos que alguém gripado, com hanseníase, ou com dependência de drogas não pode ser tratado de forma diferenciada. No entanto, dependendo da doença nos sentimos discriminados, como é o caso daquele que entendeu a expressão “dependente químico”, como preconceituosa, e daquele que entende a expressão hanseniano como preconceituosa.

A expressão em si não é preconceituosa, mas sim fruto de ignorância. A cerca de um século desconhecíamos a Hanseníase enquanto doença, e ainda hoje desconhecemos os motivos que fazem um ser humano ficar totalmente dependente do consumo de uma substância química e damos o nome a este de “dependente químico”.

O preconceito é a crença em um conceito antes de termos conhecimento integral sobre algo e ele ocorre sempre que julgamos alguém ou algum fato sem termos informação suficiente, ou seja, ignoramos e mesmo assim criamos uma verdade absoluta em nossas mentes sobre algo sem qualquer uso da razão.

Em um primeiro momento, podemos achar que estou minorando os termos “hanseniano” e “dependente químico”, mas estou tentando abrir a mente para que a ofensa não pese tanto no coração daqueles que a escutaram, e abra o coração para o fato de que estamos ofendendo outros irmãos diariamente por pura ignorância e O MORHAN AJUDA TAMBÉM NISTO !!!

O excelente trabalho desempenhado por líderes abnegados, muitas das vezes mal compreendidos, mas 100% empenhados em ajudar aqueles que passaram pelo infortúnio da Hanseníase, criaram um Movimento tão bonito, que criou uma legião de pessoas, que pode levar a mensagem que somente a Educação e a Cultura vencem o preconceito.

Somente quando um homem estudado, o Dr. Gerhard Henrik Armauer Hansen, compreendeu a enfermidade, a Humanidade pode iniciar um processo de ver a enfermidade com outros olhos e somente quando conseguirmos buscar uma saída e encontrar remédios para algumas enfermidades, como as drogas, poderemos nos livrar de nossa ignorância e com isso teremos menos pessoas se sentindo ofendidas.

A idéia é ignore o ignorante!!! . Lembre-se da passagem bíblica em que Jesus disse “Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!”.

Meu irmão, independente de sua religião, ou mesmo sendo ateu, todos sabemos que estamos nesta vida para um motivo maior, e somos necessários para a Humanidade. Não existe Humanidade se não for composta de humanos, e todos nós somos imprescindíveis.

Não fui acometido pela Hanseníase, e não tenho nenhum parente com tal enfermidade, mas se não fosse os portadores da doença, não teria conseguido compreender de onde nasce o preconceito. Preconceito nasce da ignorância, da impossibilidade de compreender o sentido de algo, ou seja, nasce de um mecanismo de defesa natural que temos de ver como feio ou desagradável tudo aquilo que não conhecemos, pois como ensinou o poeta “Narciso acha feio tudo que não é espelho”.

O portador de uma doença pode ter o caminho aberto, para aprender com o mal e ajudar a outros a compreenderem que o mal existe, mas cabe a cada um combatê-lo, e o lugar onde este combate se desenvolve é sempre em nossas mentes e corações.

A indenização tão perseguida deve acontecer sim, afinal é a mais lídima Justiça, mas ela não reparará integralmente a dor dos erros cometidos no passado, ou seja, indenização não repara dano, mas é necessária e obrigatória para tentar reequilibrar com Justiça uma situação desequilibrada.

Assim meu irmão, este artigo é para chamá-lo a felicidade, para chamá-lo a beleza de seu papel no mundo em que vivemos. O que foi errado haverá de ser minorado com uma modesta indenização, afinal não há dinheiro no mundo que pague o que cada um sofreu, porém veja que você é o Maior Milagre da Natureza, e que Deus tinha um plano para a sua vida, de mostrar algo e aprender algo com a enfermidade. Não sabemos os planos de Deus, mas sabemos que no final todas as coisas dão certo, e que o Universo conspira para a perfeição em todas as coisas.

Busquemos em nossos corações o quanto somos magníficos, pois com todas as nossas dificuldades e problemas, conseguimos fazer tantas coisas maravilhosas e sermos ainda bons e termos uma essência de bondade. O Bem reside dentro de todos nós e naqueles que tem adversidade as manifestações de bondade são ainda mais expressivas.

É hora de travarmos esta batalha, buscando entender que muitas das vezes aquele que passa pelo infortúnio, traz uma grande lição de vida, um exemplo de superação, que pode e deve aprender com a enfermidade e pode ensinar a outros, afinal a pior de todas as doenças é a ignorância.

Quantas vezes a vaidade nos impede de ver que o melhor somente se manifesta em nossas boas atitudes. A beleza natural da mocidade, o dinheiro, a fama e as honrarias não são nada quando comparadas a um pequeno gesto de fraternidade.

Continuemos levando a mensagem de que Hanseníase é apenas uma enfermidade como outra qualquer, e quando chegarmos às escolas e implantarmos este sentimento nos nossos jovens, aí sim teremos certeza de que um erro a menos será cometido no futuro.

Quando entendemos que diversidade de raça, credo e sexualidade, é natural, destruímos o preconceito em relação a estes temas. Assim, no futuro, quando todos entendermos que infortúnios vividos pelas pessoas, são apenas infortúnios, não discriminaremos doentes, ou pessoas que tenham problemas financeiros, ou pessoas que tenham cometido erros, pois nos veremos todos como irmãos e pararemos de julgar nossos semelhantes.

Oxalá, este texto lhe traga um sorriso no rosto e a certeza de que sois uma pessoa muito especial !



Alcides Corrêa de Souza Junior

alcides@correadesouza.adv.br



“ ... Eu fico com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz

Ah meu Deus eu sei, eu sei que a vida devia ser bem melhor e SERÁ ... ”



Um comentário:

  1. Amei os poster sou filha de portador de HANSEN, vivi longe do meu pai, apesar de nao ter sido criada eminternato pois minha mae nao era portadora e nos ensinou a sobreviver, ´so que lembro as vezes que pulei o muro da colonia para ver meu pai,mais ele faleceu as 89 anos em nossa companhia pois já tinham dado alta aos pacientes da colonia sao Francisco aqui de Natal/RN

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