quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O poder da exclusão.

Tudo na vida tem duas ou mais leituras e vamos reaprendendo a cada passo que supomos dar.
Pesquiso diariamente sobre a história da hanseníase e onde há um bom texto fico horas no computador, porque precisamos de INFORMAÇÃO. A informação gera a curiosidade, que nos leva à pesquisa e fatalmente ao conhecimento, à educação. E a hanseníase precisa, antes de qualquer "profilaxia", ser conhecida, compreendida, auxiliando-nos no combate acirrado contra a discriminação
Na história da colonização do Brasil, sabe-se que a hanseníase existia em Portugal e nas Ilhas Africanas.
Nossos índios não tinham hanseníase. Aliás, nossos índios eram criaturas puras, partes de uma natureza perpétua. Sim, eterna enquanto durou, porque com a colonização os problemas também se colonizaram.
No século XVIII surgiram as Sociedades Protetoras dos Lázaros, com grande importância no trabalho das Santas Casas. Iniciaram-se, nesta época, as construções hospitalares em São Paulo, porque com  o Ciclo do Ouro em 1765, a emigração foi iniciada.
Então, fiz uma continha básica: aqui em São Paulo, falamos de hanseníase há 245 anos! E agora, queremos erradicá-la? Não sei. O Professor Doutor Adolpho Lutz, em um texto datado de maio de 1936, falava em 100.00 casos/ano. Hoje, 2010, falamos em aproximadamente 40.000 casos/ano. Proporcionalmente me parece, não estamos avançando muito. E isto é vergonhoso demais para eu me estender no assunto.
Daí concluo que, após este banho de história que me propus nos últimos dias, temos que caminhar pela estrada da identidade das pessoas atingidas pela hanseníase, ou seja, precisamos de fato, da cura do preconceito, porque até hoje e sempre, somos reconhecidos por doentes, hansenianos, filhos de hansenianos, leprosos, morféticos, separados... São tantos os termos...
Bacurau já falava sobre isso também e aqui estou, repetindo frases.
Mas é assim mesmo: insistência, persistência. Sempre tem alguém que ainda não leu isso.
O homem criou a culpa para inventar o perdão.
Estigmatizou doenças, chamou alguns de loucos, trancou-os, condenou os diferentes para justificar segregação.
O que falta para que a hanseníase seja uma doença e não uma punição?
Quem sabe, seu coração possa responder.

Com amor pleno
Teresa Oliveira
 

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