Aos 25 anos, roubaram-lhe, o direito mais básico de qualquer ser humano: a liberdade e, quando Raimunda descobriu que carregava o mal de hansen, em 1973, foi enviada ao Sanatório Santo Ângelo (hoje chamado de Doutor Arnaldo), no município de Mogi das Cruzes.
- "Morava em Brasília e os médicos de lá não sabiam o que eu tinha. Então, vim para São Paulo atrás de tratamento. Cheguei numa quarta-feira, na quinta passei no médico, na segunda-feira seguinte já estava internada", conta.
A partir daquele dia, ela estava proibida de sair e de ver a família.
- "Foram tempos difíceis. Mesmo depois, quando os hospitais abriram as portas, a gente não queria mais sair, porque o preconceito lá fora era muito grande", diz.
Por este motivo, a cearense, assim como a maioria dos outros pacientes, continuou a vida dentro dos muros do Doutor Arnaldo depois de receber alta.
Conhecer e conviver um pouco com a Raimunda, me deu a certeza de que a hanseníase, como a maioria das pessoas acredita, não é um castigo, mas uma dádiva, porque ela consegue ser uma guerreira de amor pleno, com forças suficientes para trazer perto de si as pessoas, que nela encontram apoio e dedicação.
Raimunda, tenho por voce um profundo respeito e admiração e é em voce que me inspiro e encontro forças para lutar, sempre mais e mais, pelos filhos que foram separados pelo Isolamento Compulsório e todas as guerras que ainda temos pela frente por conta da hanseníase.
Com amor pleno
Teresa Oliveira

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