No dia 28 de setembro, quando estávamos aguardando a chegada do Artur para nossa reunião, fiquei conversando com meu doce amigo (porque ele me chama assim também), o Alcides, quando ele me alertou para a seguinte questão:
- A causa ainda não é grande. Seria grande se nós pudéssemos visualizar, a partir destes filhos, que foram separados pelo Isolamento Compulsório, os outros filhos, que estão por aí, também separados por questões e problemas vários.
Naquele momento de reunião, estava centrada em nós, irmãos de causa.
Porém depois, quando o sangue esfriou, refleti sobre tudo que havia ouvido e aguardei este dia para falar a respeito.
Com certeza, precisamos fazer desta causa, da nossa causa, algo maior. Algo que nos justifique ter chegado até aqui, 50 e poucos anos depois, para falarmos sobre nós.
Então, hoje, Dia das Crianças, gostaria que todos os filhos que foram separados pelo Isolamento Compulsório, que não tiveram muitos dias das crianças porque afinal, dentro dos tais "educandários" NUNCA houve um dia sequer que fosse das crianças, pensássemos o quanto nossos objetivos podem e devem ultrapassar os limites de nossa indenização, de nossa reinvindicação, para, a partir do nosso sofrimento, abraçar todos os filhos que, neste dia, não terão um dia; crianças, jovens e adultos que pelas drogas, pela orfandade, pelo abandono, buscam um carinho, um olhar, um ponto de partida. Estão também "isolados compulsoriamente" do mundo, porque são discriminados e esquecidos.
Todos os dias deveriam ser de todos. Principalmente das crianças, porque um dia se transformam em adultos e tudo aquilo que vivenciaram em uma realidade desumana, aflorará de maneira inaceitável dentro da sociedade. Não podemos simplesmente ser uma causa.
Dentro de nossos objetivos, somos o exemplo claro de uma geração abandonada e negligenciada.
Muitos de voces meus irmãos, constituíram famílias, tem filhos.
Olhem para os filhos que são de alguém mas que neste momento são ninguém.
Nosso movimento em torno da discussão sobre direitos, precisa recolocar a sociedade na discussão de todos os filhos que foram, que são e que ainda serão separados.
Não podemos excluir o nosso amor e atenção a ninguém.
Que este Dia das Crianças seja de fato um recomeço de nossa ação, com um amor que sempre escrevo, pleno. E se assim o é, estaremos unidos para somar e aprender; para vigiarmos e nos atentarmos a todas as separações e abandonos diários que vemos e, muitas vezes, fazemos de conta que não existem.
Toda criança é consequência direta de sua infância!
Com amor pleno
Teresa Oliveira

tereza;;parabens pelo seu trabalho
ResponderExcluirEm primeiro lugar gostaria de agradecer a receptividade e o carinho que você e a coordenação do Morhan.Sou de familia humilde,meus tiveran 07 filhos contando comigo.Eutive hanseniose aos 10 anos, onde meus pais e meus irmaõs ficaram esctremamente proibidos de me visitar porque consideravam a hanseniose (lepra)sofri muitro preconceito,com tudo isto os meus foram para um educandario.fui conhece-los depois de muito tempo.
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