quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Sem palavras. Emoção, agradecimento...

Obrigada pelo carinho Brasil!
Abaixo, um e mail da Bahia, onde o relato sincero reforça para a sociedade que eu não estou em luta sem causa. Pelo contrário! Somos a prova viva de um holocausto que queriam deixar debaixo dos tapetes das Repúblicas! Se não falássemos, acaso haveria reparação? E ela, quando vem afinal?
Teresa Oliveira


Venho por meio deste parabenizar a Dra Tereza pela preocupação de lutar por pessoas que ela nunca viu ou conheceu e que não só eu mas milhares como eu que fui separado do convívio familiar.

Eu mesmo no dia 25/12/1965 bem como meus outros três irmãos fomos para o Educandário Eunici viver em águas claras aqui na Bahia no mesmo dia que nasci na colônia Dom Rodrigo de Menezes, vivendo ali doze anos;sofrendo espancamento, e violência sexual por parte de alguns internos que ali residiam já acima da idade permitida e nós, os pequeninos, não tínhamos como nos defender,onde estavam os nossos pais quando nós clamávamos por socorro,estávamos a mercer das perversidades,dos trabalhos forçados, pois éramos nós que tínhamos que limpar toda aquelas área externa e internas daquele educandário.nos finais de ano os brinquedos que ganhávamos, os melhores brinquedos eram tirados de nós pelos administradores ,talvez para ser dados a seus próprios filhos. funcionários que não entende a dor de uma criança que não tem mãe e pai por perto pra lhe proteger.nos obrigavam a refazer os serviços que seriam deles,ou seja se eles entendesem que deveríamos limpar duas ou mais vezes determinado lugar que dizendo eles eram nossa obrigação.sem se falar na falta de um curso profissionalizante que nunca tivemos para nos preparar quando saisemos desses”PRESÍDIOS”a diferença é que éramos pequenos ou presidiários mirins sem prestígio algum. Somos piores que os presidiários que cometeram crimes contra a sociedade, e tem os direitos humanos para lhes defender. para esta sociedade. Somos apenas filhos de pais portadores de uma enfermidade onde todos nos viam como excluidos.Lembram onde vivem os leprosos que a Bíblia relata?fora de cidade.é isso aí não valemos nada.Somente Deus que é o pai dos orfãos para levantar pessoas como você Tereza e outros mais,só temos que agradecer por vocês.se fossemos delinqüentes não precisaríamos de tanta mobilização e vocês não se desgastariam tanto.
Att Agnaldo gama pereira EX interno.

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