Conceição da Costa Neves é homenageada pela Assembléia Legislativa de São Paulo
09/09/2010 20h20
Conceição da Costa Neves
Da Redação - Blanca Camargo
Conceição da Costa Neves : primeira mulher a assumir a presidência de um parlamento estadual no Brasil
Maria da Conceição da Costa Neves nasceu em Juiz de Fora, Minas Gerais, em 17/10/1908. Foi atriz da Companhia Procópio Ferreira, e percorreu o país, encenando diversas comédias. Em 1934, foi eleita rainha das atrizes.
Ainda na década de 30, passou a viver com Procópio Ferreira, fixando residência em São Paulo. Em 1938, casou-se com o médico Matheus Galdi Santamaria, de quem se separou em 1955.
Durante a 2ª Guerra Mundial, entre 1943 e 1945, foi diretora da Cruz Vermelha Brasileira, e pela escola dessa entidade foi samaritana e monitora. Fundou e presidiu a Associação Paulista de Assistência ao Doente da Lepra.
Seu trabalho em defesa das vítimas da hanseníase a fez conhecida através da imprensa e, em 19/1/1947, iniciou sua carreira política, tornando-se a primeira deputada estadual paulista, com 12.119 votos, pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), do qual foi uma das fundadoras. Foi a terceira mais votada entre 75 deputados e a única mulher eleita à Constituinte Paulista de 1947.
Na Assembleia, foi árdua defensora dos doentes de lepra e de suas famílias, elaborando leis que garantiam os direitos dessas pessoas. Na mesma legislatura, realizou um trabalho de investigação, visitando os quatro leprosários existentes no Estado e denunciando, da tribuna, as más condições de funcionamento desses estabelecimentos
1ª CPI
As denúncias fizeram com que um promotor de Justiça pedisse licença à Assembleia para denunciá-la por injúria e calúnia. A investigação, realizada pela Casa e publicada em relatório, é hoje considerada a primeira comissão parlamentar de inquérito (CPI) da história do Legislativo paulista.
Entre 1960 e 1963, foi eleita e reeleita vice-presidente da Casa, sendo a primeira mulher a assumir a presidência de um parlamento estadual no Brasil, quando da viagem do presidente Roberto Costa de Abreu Sodré ao exterior.
Com o fim do pluripartidarismo, filiou-se ao partido de oposição ao regime militar, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), do qual foi uma das fundadoras.
Em julho de 1967, durante debate transmitido pela TV Tupi, a deputada travou duro debate com o coronel Francisco Américo Fontenelle sobre seu trabalho à frente do trânsito de São Paulo. Em decorrência da discussão, Fontenelle sofreu um mal súbito e veio a falecer.
Ela também seria testemunha do fechamento da Assembleia paulista pelo Ato Institucional nº 5 (AI-5), de 13/12/1968. A Casa permaneceu fechada pelo regime militar de 7/2/1969 a 31/5/1970. Nesse período, entre os 27 deputados estaduais cassados, estava Conceição da Costa Neves, que teve ainda seus direitos políticos suspensos, por 10 anos. Na década de 70, participou de movimentos pela Anistia.
Faleceu em 15/7/1989, vitimada por um infarto agudo do miocárdio. Seu velório foi realizado no Hall Monumental da Assembleia, e seu corpo sepultado no cemitério Gethsemani.
Foi também jornalista e escritora, tendo lançado os livros: Na Esquina do Mundo, Livros de Portugal, Na Praça da Vida e Rua Sem Fim (autobiografia).
Fonte: texto de Antônio Sérgio Ribeiro publicado pelo Diário e pela Agência de Notícias da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, por ocasião do centenário do nascimento de Conceição da Costa Neves, em 2008.
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Amigos do Blog:
Encerro aqui minha simples homenagem a Conceição, mãe de todos nós e com um grande significado em minha vida por tudo que representou como mulher plugada e capaz, em uma época de heróis e personalidades quase que exclusivamente masculinas, coisa que ainda não é muito diferente.
Mas eu acredito que entre nós, mulheres, somos poucas em número a merecer destaque porque o mundo ainda gira em torno dos homens e na verdade nos acomodamos com isso. Está na hora de repensar esta atitude, porque todos precisamos ser iguais em oportunidades e respeito.
Muitas "Conceições" estão, neste exato momento, à frente de uma grande causa e não são vistas, homenageadas, reconhecidas. Elas podem estar na frente de um tanque ou de um palanque, mas são guerreiras. Ninguém vai para uma batalha no parto, no cuidado com os filhos, com a casa, sem estar preparada. E as mulheres estão sempre preparadas, estejam onde estiverem, porque são a própria vida.
Ressalto que deixei permanecer a palavra "lepra" neste texto, com data de sua publicação, para demonstrar que AINDA, com toda esta luta milenar frente a discriminação e indiferença, as pessoas não respeitam as Leis vigentes neste país. Nem mesmo a Assembléia Legislativa de São Paulo!
Não me calarei Conceição!
A luta pelo reconhecimento, engajamento social e moral de todos nós, filhos que foram separados ou deixados para trás pelo Isolamento Compulsório, consumirá minha vida até que tenham, um a um, reconhecidos os seus direitos e respeito da sociedade.
Vivo por esta causa, me alimento dela e não me afastarei a cada obstáculo que diariamente encontro. Pelo contrário: fazendo a sua semana no blog, recarreguei minhas baterias para mais mil anos de dedicação.
Teresa Oliveira (não à toa, nasci Maura Regina)

Obrigada por deixar aqui um pouco da linda história da minha inesquecível tia Conceição. Ela lutou pelo preconceito que ainda esta ai vamos continuar essa luta que ela iniciou voce, Artur o Morhan e toda a diretoria e voluntãrios estarei aqui pra o que der e vier contem sempre comigo. Tere obrigada por estar na minha vida. Beijos Monica.
ResponderExcluirParabéns por este lindo trabalho!!!
ResponderExcluirEstarei sempre disponível para coloborar com que for possível
Beijos
Sandrinha
Quem tem o previlégio de conhecer o trabalho da ex: Deputada Maria da Conceição da Costa Neves, atravez das Medalhas, Diplomas e Condecorações que ela recebeu em suas andanças pelo Brasil e pelo mundo, sempre trabalhando no combate a antiga doença do mal de Hansen, pode sim dizer que uma maravilhosa página da história do Brasil, esteve ligada diretamente nos sentimentos humanitário desta mulher guerreira que deixou sua história de 1946 a 1970 perpetuada na memória de milhares de pacientes portadores da hansenianse e nosso país.
ResponderExcluirA história me dá subsidios do passado, para que eu viva o presente, imaginando o que será do futuro em relação ao tratamento da hanseníase no nosso país.
Jaime Prado, funcionário a 34 anos no Instituto "Lauro de Souza Lima", em Bauru/SP um maluco apaixonado pela preservação da história