quarta-feira, 22 de setembro de 2010

As dificuldades dos que buscam justiça.

Companheiros do MORHAN e amigos do blog:
Desde o início de nosso trabalho em busca da reparação do Governo Federal aos danos que foram causados a milhares de famílias brasileiras, obrigadas a se diluírem, indo de suas casas diretamente para colônias, na força bruta de uma tal "polícia sanitária" e nos vagões de última classe dos trens, de onde só podiam sair quando estivessem dentro das imensas terras devidamente distantes e separadas de tudo, implorando para que seus filhos não sofressem e que mesmo assim foram também separados e abandonados em orfanatos, por incrível que pareça, encontramos mais pessoas contra do que dispostas a ouvir e entender. Sim, porque "compreender" o Isolamento Compulsório não justifica aceitá-lo como violação dos direitos humanos, já que infelizmente o mundo está cheinho de pessoas que só percebem seus umbigos. Já ouvi de profissionais experientes que o isolamento foi o que era melhor para a época. Sim, foi o melhor desde que não fosse na sua família. Porque na minha, o Isolamento Compulsório foi para sempre. Mesmo eu tendo reencontrado duas irmãs, nunca poderemos ser, de fato, uma grande família, porque não tivemos o direito de ter família. Hoje somos unidas, uma tenta refazer a outra, mas estamos separadas pelos anos, pelas décadas, pela experiência pessoal de cada uma. Nosso sangue não mudou e por ele estamos trilhando caminhos difíceis para nos conquistarmos uma à outra. E isto, o Governo Federal não poderá reparar.
Então, eu gostaria de pedir aos que não aceitam nossa reinvincação como justa, que não façam "terror" na cabeça dos que a buscam. Todos temos direito de lutar pelo que é nosso. Não destruam a única porta que se abriu nestes cinquenta anos para estes meus irmãos que, pela primeira vez, estão encontrando respeito e sinceridade dentro do MORHAN.
Peço principalmente a funcionários públicos do estado de São Paulo, que cessem com esta "caça às bruxas", quando filhos de pacientes entram pelas colônias buscando mais irmãos, trabalhando por outros, entregando formulários que acabam engavetados e nunca enviados ao MORHAN.
Nós não estamos atrás de revanche. Apenas dos nossos direitos.
Porém, eu NÃO DESISTO e mesmo que tenha que refazer milhares de processos e de formulários, eles serão refeitos. Mas enquanto eu viver, estou a serviço dos meus irmãos e de todos que foram atingidos pela hanseníase.
Somos e sempre fomos da paz. Mas eu sei lutar na linha de tiro. E já estou nela.
Com amor pleno
Teresa Oliveira

2 comentários:

  1. Esse episódio é muito sério. Precisa-se fazer uma representação contra esse tipo de comportamento, por parte desses desumanos funcionários público. Afinal funcionário público é para servir ao público e não pra obstrui quem quer ajudar.

    Abraços
    ca.ra
    carlos ramalho
    23-09-2010

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  2. oi meu padrasto e um destes filhos pois hoje ele tem 55 anos e culpava seu pai por ter vivido no educandário de curitiba a revolta dele e grande mas graças a deus ele encontrou uma familia,minha mãe faleceu em 2003 mas nunca passou pela nossa cabeça abandona-lo pois temos ele como pai.por esse motivo abraço de coração essa causa lucianadorigon@hotmail.com

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